“Sei
que um dia te vais lembrar de mim, e os números da tua agenda passarão
claramente à tua frente e não terás nenhum para marcar. talvez até
tentes o meu, mas até lá posso não te atender e talvez aquele já nem
seja o meu número. vais tentar chamar alguém, mas não haverá ninguém que
largue tudo para te ir dar um abraço. nessa fracção de segundo, quando
os teus pés perderem o chão, vais-te lembrar
do meu carinho e do meu sorriso inocente. virão súbitas memórias dos
nossos momentos. e só haverá uma música a repetir no teu rádio: a nossa.
e num novo momento vais sentir um aperto no peito, uma pausa na
respiração e vais torcer bem forte para ter o nosso mundo de volta. […] o
nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto e te falava sempre.
quando finalmente bateres na minha porta ela estará trancada, ou se
aberta, mostrará uma casa vazia. os teus olhos vão ensinar-te o que são
lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. e vais lembrar-te
das nossas conversas, da minha inocência que ria de tudo o que dizias,
do meu jeito te tentar fazer feliz. o nome do enjoo que vais sentir é
arrependimento e a falta de fome será a tristeza, a mesma que eu senti
por tanto tempo. um dia quanto te deitares e olhares para o tecto do teu
quarto escuro, vais-te lembrar que as estrelas poderiam lá estar para
iluminar as tuas noites frias, mas tudo o que vais ver é a escuridão. e
quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te
acontecer e ninguém te olhar como eu olhava, vais encontrar a solidão. e
vais ver que diante de tudo isso, alguns dos meus defeitos poderiam ter
sido perdoáveis.”